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[PLANILHA] Desmistificando o Controle de Qualidade em Laboratórios - Entrevista com Prof. Dr. Mauro


A qualidade é fundamental para auxiliar diagnósticos que salvam vidas. Na entrevista de hoje o Professor Dr. Mauro Terra fala sobre aspectos da qualidade, e ao final, disponibiliza materiais que auxiliam no controle de qualidade de pequenos laboratórios.

Para começarmos, Dr. Mauro Terra, o que é importante para garantir a Qualidade? Existe o controle de qualidade perfeito?

É importante que os gestores estejam integrados e cúmplices do Projeto de qualidade, caso contrário será apenas mais um projeto projeto mal executado, fadado ao fracasso ou então apenas um Serviço de Qualidade com resultados manipulados.

Qualidade nunca foi e nunca será uma ocorrência estável e linear, nenhum serviço opera um mês inteiro sem quebrar Regras de Qualidade. O Dr.: José Carlos Basques dizia “Laboratório assim só os Celestiais, Laboratório que não tem não conformidade sazonal em seus processos não faz Qualidade, brinca de fazer, não engana o outro, se engana.”

E em que se fundamenta a Qualidade?

O programa de Gestão da Qualidade implementada no Laboratório Clínico é o que fundamenta e permite se fazer Bioquímica com qualidade, e pode ser resumido em um tripé. O Controle da Qualidade composto por ensaio de Proficiência e Controle interno avalia continuamente a fase analítica do laboratório. Já a calibração evita desvios nas análises.

1. Proeficiência

O ensaio de Proficiência, também conhecido como Controle Externo, é uma prova prática periódica. Uma sistemática de avaliação do desempenho analítico, por meio da qual os laboratórios analisam materiais similares aos da rotina, para avaliar, ajustar e padronizar seus processos junto ao mercado.

2. Controle Interno

O Controle Interno é responsável pelo monitoramento frequente da reprodutibilidade analítica, visando identificar e eliminar erros inerentes ao processo de análise. A valorização prévia por meio do ensaio de proficiência confere a estes controles duas grandes vantagens: validação eficaz e abrangência dos métodos.

Estes dois controles, aliados a uma gestão comprometida com a qualidade, promovem um profundo conhecimento dos processos de análise e garantem a confiabilidade dos resultados.

3. Calibração

A calibração também se coloca como ponto fundamental. Pois a mesma verifica se os instrumentos estão funcionando em conformidade com o desejado, para evitar desvios nos processos de análise e reduzir custos inerentes a tais desvios.

É comum ouvirmos dos gestores de pequenos e médios laboratórios críticas em relação aos valores envolvidos na realização do controle de qualidade. Você acredita que o custo da qualidade pode inviabilizá-la?

A Qualidade não é uma necessidade, e sim uma obrigação ética e moral dos empreendedores e dos profissionais do setor, isto é, muito maior do que as RDCs. Por esse motivo, ela não pode ser inviabilizada.

No entanto, no Brasil tanto os controles Internos e externos como os softwares para registros tem custo muito elevado, difícil de ser absorvido pelos pequenos laboratórios. Existem poucos fornecedores desses serviços no mercado, o que é um fator determinante para esses custos elevados.

A boa notícia é que quando implantados e assimilados se percebe a importância e a economia que trazem. A Qualidade não aumenta custos, pelo contrário, permite uma redução de até 35% nos mesmos! Como efeito colateral, é gerada uma melhoria da qualidade dos Resultados, sentida no aumento da demanda dada o maior confiabilidade de paciente e médicos.

Em relação aos benefícios, quais seriam os ganhos que os controles geram para o laboratório?

O maior deles é a credibilidade quanto aos resultados disponibilizados aos médicos e pacientes. Mas ela ainda: permite uma avaliação quanto ao desempenho Qualitativo de seus Profissionais técnicos inclusive no item conhecimento dado a Educação Continuada, ajuda na avaliação dos Kits utilizados nas testagens (em diversos casos eles são os responsáveis por não conformidades) e é uma importante prova jurídica em caso de Processos, por caracterizar uma preocupação com a Qualidade dos resultados emitidos.

Que prejuízos o laboratório pode estar incorrendo ao não efetuarem controles? Por que esses prejuízos podem custar mais que o investimento a ser realizado em controles?

Como não podemos aferir o que não se mede, não efetuar o controle de qualidade coloca o laboratório na Ilegalidade e passível de Multas pelas Visas. Além disso:

- O serviço fica fragilizado juridicamente em caso de um processo civil.

- Deixa o Gestor com bastante limitações quanto a avaliar processos, equipamentos, insumos e as pessoas envolvidas.

Quais são os erros mais comuns que os laboratórios cometem ao realizar a qualidade?

Um bom controle de qualidade passa pela correta manutenção de equipamentos, qualidade da água, cadastro e coleta. Logo, os maiores erros são decorrentes dessa manutenção incorreta. Além disso:

- Não acreditar nos resultados e rodar os controles em apenas um momento e fora da rotina.

- Se preocupar apenas com os resultados da Nota de Avaliação e não fazer uma análise crítica e detalhada do relatório que recebe

- Troca de informações e dados entre Serviços diferentes e vizinhos. Onde muitas vezes acabam manipulando os dados o que vai gerar distorções na avaliação.

- Gestores não participarem do Processo, mesmo que de forma apenas a conversar sobre os achados

- Acreditar que Qualidade é apenas um Processo Técnico.

- Não Registrar a intercorrências bem como às ações corretivas tomadas e seus Resultados.

Muitos gestores colocam selos de qualidade em laudos e paredes. Você acha que os clientes conseguem perceber a qualidade do laboratório, e enxergar a diferença em relação a competitividade com os concorrentes?

Acredito que até conseguem quando estes selos correspondem a uma realidade e não apenas um nota fruto de dados mesclados e pouco confiáveis. Mas o que faz mesmo os pacientes perceberem a qualidade é a correlação entre o Resultado do Exame e o Diagnóstico Médico, pois assim o tratamento surtirá efeito.

Para tangibilizar a qualidade para os pacientes, além dos métodos citados pode-se transmitir nos televisores das salas de espera vídeos em tempo real da rotina técnica, bem como produzir vídeos com visitas Técnicas de Médicos e Pacientes. Expor elogios das pesquisas de Qualidade também é uma opção.

Imaginando um cenário em que ainda existam laboratórios que não faça controle de qualidade, de que forma você indicaria que se começasse a fazer?

Nossa, isso é preocupante, pois a RDC tem mais de uma Década. Aderir a Programas de C.Q.E. mesmo que setorizado e ir incluindo novos setores e parâmetros não é apenas necessário e sim uma obrigação. É preciso começar, mesmo que de forma pulverizada.

A qualidade pode ser mensurada com água, massa de vidraceiro e guache, lugol diluído, groselha, duplo cego, um amigo, uma conta duplicada, enfim Qualidade é um Processo Criativo. Alguns exemplos de criatividade técnica:

- Água não tem Glicose nem Colesterol, logo se eu insiro ela como amostra em minha rotina já terei um parâmetro para avaliar internamente.

- Solicite que um colega avalie a mesma amostra de um paciente de meu Serviço no Serviço dele seria interessante, óbvio se o mesmo estiver incluso em algum Programa.

E para os laboratórios que já fazem controles, existe alguma dica para melhorar o processo de qualidade?

Pode-se criar um Grupo Técnico para discutir os resultados emanados pela Instituição Avaliadora, onde cada Profissional faria um relato de suas Intercorrências, possibilidades quanto aos fatores interferentes e às ações a serem tomadas. Também pode-se aderir a Programas on-line e incentivar todos a participarem de cursos, presenciais ou à distância.

Por fim, a qualidade tem o foco interno?

Não deveria. A Qualidade deve ser medida nos Serviços e percebida pelos pacientes! A qualidade deve abranger também os processos administrativos, logísticos, atendimento e gestão. Uma qualidade voltada apenas para obter um bom conceito não será percebida pelo paciente ou demandante. Para isso a qualidade deve ter indicadores tangíveis e não imaginários.

É preciso criar parâmetros para avaliar a Qualidade da Coleta, Recepção, TI, Administrativos e etc. Reduzir o número de recoletas, erros cadastrais e a redução das glosas somente é possível através da mensuração.

Planilha Estimativas de Imprecisão e Erro Sistemático

O Dr. Mauro Terra disponibilizou a Planilha de Comutatividade Analys, para estimativas de imprecisão e erro sistemático, e seu manual de utilização, que pode ser baixada ao preencher o formulário clicando aqui ou no botão abaixo.

Além disso, compartilhou alguns sites que acha interessante quanto se trata de qualidade, que você confere abaixo:

  • http://www.westgard.com

  • http://www.aacc.org/ebm

  • http://users.rcn.com/dennisanoe

  • http://www.cap.org

*** Pai da Emily e da Thalita, Dr. Mauro Terra é Biomédico de formação primária, Servidor Público Estadual e Federal, Professor Universitário, Dirigente Sindical, Especialista em Análises Clinicas, Mestre e Doutor em Bioquímica Clinica, possui MBA em Gestão e é Diretor dos Laboratórios Terra Pereira, Diagnotest e Labmeg.

Contato: mauro.terra@terrapereira.com.br

Site: www.terrapereira.com.br

#MauroTerra #Gestão #Qualidade