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Aprendizagem nas Organizações: o Que eu Tenho a Ver com Isso?




Faz parte da essência do ser humano aprender. Quando menos percebemos, estamos aprendendo, desde que haja um contexto e aspectos individuais propícios a isso. Envolve aspectos como sala de aula, laboratório, reflexão, conversa, insight, discussão, diálogo, discurso, inspiração, alegria, questionamento, transpiração, ansiedade, engano, resolução, rotina, arrependimento, desconstrução, happy hour, treinamento, reunião...


A importância da aprendizagem escancara-se com o VUCA (volatile, uncertain, complex, ambiguous), termo que representa momentos e circunstâncias de alta instabilidade e suscetibilidade. Isso se evidencia, por exemplo, com a pandemia da COVID-19, em que ficam mais visíveis as dificuldades, anseios, dores, dilemas, resistências e oportunidades associadas a uma doença que estamos descobrindo e conhecendo à medida que vai acontecendo.


A aprendizagem também se apresenta junto às organizações. No Programa de Pós-Graduação em Administração da UCS, tenho investigado e orientado o tema "Aprendizagem nas Organizações", com o qual estou envolvido há mais de 10 anos. Um ponto que percebo, no entanto, é o quanto ele é ainda subestimado em muitas organizações, apesar de fazer parte, rotineiramente, da vida organizacional.


Há empresas, como a Gerdau, que não falam mais em educação corporativa, mas em aprendizagem corporativa, como um processo que se apresenta e se dissemina em todos os espaços e relações. Atualmente temos o cargo de CLO (Chief Learning Officer). Em reportagem da edição brasileira da Harvard Business Review de fevereiro deste ano, enfatiza-se que as empresas deveriam cultivar as capacidades de todos os funcionários para explorar, aprender e crescer - não só para treinar pessoas. Ainda, que CLO transformadores estão abandonando o treinamento em salas de aula tradicionais e estão personalizando, digitalizando e pulverizando o aprendizado. Em outras palavras, dando o devido lugar a quem aprende.


O que muitas empresas não têm se dado conta? Da necessidade de um ambiente propício para que a aprendizagem floresça, ou flua, como se fosse um rio, muitas vezes seguindo caminhos não muito lógicos ou lineares, mas se disseminando, no seu tempo, propiciando transformação. Ou seja, vai além das questões formais, quando planejamos a realização de conhecimentos através de estratégias e espaços específicos. Aprendizagem não está somente em uma sala de aula ou na mente das pessoas, mas nas suas interações, inclusive com objetos, estruturas e tecnologia. Está também nas suas observações, experiências, hábitos, conflitos, erros e constatações. Envolve não somente melhorar o que fazemos, mas questionar a maneira como fazemos.


Enfim, aprender no contexto organizacional tem a ver com as práticas das pessoas, em que fazer e saber (doing e knowing, não somente knowledge) se emaranham, não se separam. Quando não consideramos isso, da aprendizagem como um fenômeno, com seu tempo de "maturar", ou seja, muito mais que uma ferramenta, uma dinâmica de aula ou uma estrutura, perdemos as possibilidades de potencializá-la. Como bem colocou Sugata Mitra no TED intitulado "Construa uma Escola na Nuvem", "temos que deixar a aprendizagem acontecer, não fazer com que ela aconteça". O desafio está aí!



Fabiano Larentis


Doutor em Administração pela UFRGS. Docente do Programa de Pós-graduação em Administração da UCS. Coordenador de Coordenadoria de Pós-graduação Stricto Sensu, ligada à PPPG UCS.