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Aicmofobia no Laboratório: Entrevista com Guinter Lühring


Cerca de 10 em cada 100 pessoas sofrem em algum nível com o medo de agulhas, também chamado de aicmofobia. Pessoas de diferentes idades estão suscetíveis a fobia, que traz um clima de desconforto na sala de espera do laboratório. Para conversar sobre o tema, recebemos o Psicólogo e Professor Guinter Lühring para uma entrevista que pode ajudar você a conduzir melhor a coleta em seu laboratório. Ao final da reportagem, a redação do Aceleralab ainda separou algumas dicas para acalmar seus pacientes.

Dr. Guinter, qual é a origem mais comum do medo de agulhas?

Procedimentos como coleta de sangue, embora corriqueiros, não são naturais. Prova disto é a necessidade de utilizar um instrumento específico para tal. A fobia de modo geral tem origem em uma experiência interpretada pelo indivíduo como negativa. Estamos falando, então, de significado, e não necessariamente da experiência em si. Por exemplo, alguns pais, para que os filhos vistam agasalhos ou coloquem calçados, costumam adverti-los dizendo: “você vai ficar doente, e terá que tomar uma injeção”. No imaginário desta criança, os pais estão tentando lhe prevenir de uma experiência desagradável, colocando a injeção como ideia central. A injeção é entendida como uma punição.

E quais são os sintomas mais comuns?

Os sintomas mais comuns da fobia são sudorese, inclusive nas mãos, tremores em mãos e pernas, taquicardia, falta de ar, visão em túnel, conduta evitativa. Algumas pessoas referem apenas um grande desconforto, inclusive náusea, não observando todos os sintomas que se apresentam. Quando somos expostos a uma ameaça, entramos em funcionamento defensivo, de luta ou fuga. Nestas situações normalmente colocamos atenção no que está nos amedrontando e como podemos sair desta situação.

Já ouvimos alguns relatos de desmaio no momento da coleta, ou logo quando ela acaba, não relacionados ao período de jejum. O desmaio pode ser analisado através da psicologia?

Sim, o desmaio ocorre normalmente devido a redução do fluxo sanguíneo no cérebro, ocasionadas por intensas dores, cansaço, emoções, pouca oxigenação ou exposição prolongada ao calor. Sob o ponto de vista psicológico, o desmaio pode ser compreendido como uma defesa, uma reação do aparelho psíquico, que está “desligando” o indivíduo com o propósito de privá-lo do desconforto daquela experiência.

O que pode ser um catalisador para a fobia?

A fobia está relacionada a uma distorção cognitiva, e este pensamento ou memória, pode estar relacionado a um ou mais elementos captados por nossos sentidos. O jaleco, o aroma do ambiente, a sala de espera... tudo pode ser um agravante para quem já possui um desconforto com o procedimento. Se houver um modo de dissociar o procedimento da experiência, seria o mais adequado.

Visando o bem estar de um paciente, o que deve ser evitado no laboratório?

Da postura do profissional que irá coletar ao ambiente, tudo pode ser utilizado para amenizar uma experiência negativa. Uma espera prolongada faz aumentar o estado de tensão, portanto, deve-se reduzir ao máximo o tempo de espera para o paciente ter menos tempo para alimentar os pensamentos negativos no local. Os materiais coletados e instrumentos utilizados devem estar fora do alcance da visão do paciente, para atenuar o desconforto. A compreensão, simpatia e bom humor devem ser uma obrigação do profissional, o contrário disto deve ser proibido!

O sorriso pode trazer uma interpretação errada de que o coletador está se divertindo com o medo do paciente. Devemos evitar sorrir?

As expressões faciais (verdadeiras) são comportamentos inatos. Isto quer dizer que são comuns à espécie. O sorriso (encorajamento/acolhimento) é diferente do riso (deboche). Se o sorriso for verdadeiramente de simpatia e encorajamento, ele pode até não resolver, mas será muito mais proveitoso que uma postura séria, que pode ser intimidadora.

Como devemos contornar um ataque de pânico no meio da coleta?

Fazendo com que o paciente identifique o sintoma que mais o incomoda (taquicardia, tremor, falta de ar...), sugerindo que coloque a atenção nele, pode ser algo muito bom, embora possa parecer controverso. Fazer uma pessoa sentir justamente o que ela não quer estar sentindo? O sofrimento não é a sensação, esta é a manifestação física dele. Nossa atenção é seletiva, e o estado de tensão é gerado a partir do foco em uma recordação ou pensamento ruim. Voltar a atenção ao sintoma é romper com o pensamento que o está gerando ou alimentando. Assim, a tendência é que ele diminua.

A Aicnofobia tem tratamento?

A fobia simples, tem comumente bom prognóstico, e na maioria dos casos, fácil resolução. Contudo, não é certeza em qualquer que seja a abordagem terapêutica. As terapias cognitivas tem utilizado técnicas que vem surtindo bons resultados, como por exemplo, o mindfulness.

Quanto ao desconforto de ir ao laboratório, existe alguma maneira de tornar a experiência mais agradável?

Ir coletar sangue normalmente não é divertido como ir ao cinema, mas ainda assim o laboratório pode proporcionar uma experiência surpreendente para o cliente. O tratamento humanizado é sempre conveniente.

** Guinter Lühring é Mestre em Psicologia Clínica, com especialização em Terapias Cognitivas. Contato: (51) 99128-3101

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DICAS PARA LIDAR COM O MEDO DE AGULHAS

Se você precisa de um guia para auxiliar na coleta de pacientes com a fobia de agulhas, anote as dicas que separamos para nossos inscritos!

1. Converse sobre coisas interessantes

Uma boa conversa é um bom meio de distração no momento da coleta. Enquanto você vai preparando os tubos e materiais, faça perguntas sobre coisas que despertem o interesse do paciente, como músicas ou filmes. Quando sentir que ele está interessado no assunto, comece o procedimento. Existem grandes chances da distração auxiliar no processo.

2. Peça para o paciente respirar fundo

Antes de fazer a punção, solicite ao paciente para respirar fundo e soltar o ar pela boca, como se estivesse soprando uma vela. Faça a punção enquanto o paciente está soltando o ar. Durante a expiração, os músculos tendem a relaxar, e o paciente irá sentir menos dor.

3. Conte uma história bem-humorada

Se o paciente está nervoso, suando e desconfortável, você pode ajudar a aliviar a tensão contando uma história positiva relacionado a alguma situação engraçada. Humor é uma ótima forma de distração, ajudando no relaxamento.

4. Use a tensão aplicada para evitar desmaios

Caso você descobrir que o paciente tem um histórico de desmaios, ensine-o antes da coleta a usar a tensão aplicada: uma técnica usada para que a pressão sanguínea se mantenha estável. Para a técnica, é necessário contrair os músculos dos braços, pernas e superiores de 10 a 15 segundos. Quando o paciente sentir que a temperatura da face está aumentando, diga-o para relaxar. Ele poderá repetir o procedimento até que a pressão regularize. Obs.: Essa técnica não pode ser realizada durante o procedimento de coleta!

5. Cante com o seu paciente

Descubra qual é a música preferida do seu paciente e comece a cantar com ele. Cantar é relaxante e ajuda a desviar a atenção. O foco do paciente estará em lembrar da letra da música, e cantar no ritmo. Quem sabe você não descobre um novo talento musical?

6. Não minta

Se o paciente perguntar, diga a verdade: a picada da agulha não é confortável, mas quando feita rapidamente, o sofrimento acaba mais rápido. Mostrar que a agulha não é tão grande também pode ajudar.

Você pode aprender mais estratégias para acalmar seus pacientes pedindo dicas para seus colegas mais experientes. Eles podem fornecer experiências valiosas que foram testadas ao longo de anos de prática. Caso você tenha alguma técnica, conte para a gente nos comentários!

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